Núcleo de Estudos e Artes do Vale do Âncora
Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
A VÂNDALO PASSIVO
A "Feira do Mar" que se realizou em Vila Praia de Âncora, no mês de Julho, permitiu-me fazer uma visita ao forte da Lagarteira, onde tive oportunidade de ver duas interessantes exposições que se localizavam na mesma dependência, embora a temática fosse diferente.
 

 

A curiosidade, levou-me a procurar encontrar a razão de não terem utilizado as outras dependências do forte, de forma a fazer dele a peça emblemática desse evento, porque se trata de uma peça que traduz a história de toda uma comunidade, das suas actividades e da sua defesa. Dali vemos o mar, os pescadores os barcos, e o pulsar da vida piscatória. E dali apercebi-me do abandono das nossas raízes culturais.

A visita tornou-se deprimente porque me apercebi que todas as portas das dependências existentes estavam estroncadas, situação um pouco estranha até porque o forte ainda tem o portão de entrada fechado, embora uma das portadas já não se possa abrir.

É uma vergonha…

 

O quadro tornava-se degradante dando origem a uma série de cenários macabros. As diversas dependências ainda se encontram numa primeira fase de degradação, o que permitiria, se para isso houvesse interessados ou permissão dos responsáveis deste património, de uma recuperação pouco onerosa

Fala-se dos vândalos que têm destruído outros monumentos, no entanto deixar degradar o património Nacional, parece-me que se poderá apelidar os seus responsáveis de "vândalos passivos", pois a passividade permite que a degradação suceda, logo a seguir ao abandono. Mas a visita ao forte tornou-se a exposição que mais me atraiu, pela negativa, porque ali tive a percepção de que a "globalização" tomou conta dos nossos dirigentes políticos, que permitem que uma "peça" daquelas e naquele local se encontre sem qualquer utilidade, deixando que verbas gastas há pouco tempo "sejam atiradas para lixo". Que turismo é que afinal os responsáveis deste país pretendem. Não seria possível dinamizar aquele espaço pelo menos durante o Verão?

Parece que estamos condenados a um turismo de praia, o que torna o Vale do Âncora numa zona turística sazonal. Mas isso é uma falta de visão dos responsáveis deste país. Isso é entregar o nosso país a um futuro incerto

No pouco tempo que passei no interior do forte da Lagarteira compreendi porque é que o meu país não avança e concluí que o património não foge ao ciclo de vida, nasce, cresce, envelhece e desaparece. Mas quando é bem tratado a sua durabilidade é longínqua e a sua recuperação, quando chega a altura de ser feita, é muito menos onerosa.

 

No entanto em Portugal o problema, pois é disso que se trata, é quando a necessidade de renovação é feito sem "objectivos específicos ou então é feito um planeamento de joelho", ou seja, é realizado sem planificação global, muitas vezes, à mercê de interesses privados, à margem das regras definidas pelo conceito de ordenamento.

Custa ver como é que se gasta mal o dinheiro dos contribuintes, neste país. De facto todos teremos de lamentar o abandono a que está votado grande parte do património no Vale do Âncora. Não sei quem são os culpados mas os responsáveis deviam aperceber-se que o turismo de praia é sazonal.

Essas instalações, em vez do abandono a que estão votadas deviam ser dinamizadas turisticamente. No pouco tempo que deambulei no seu interior foram dezenas de pessoas, nacionais e estrangeiros, que procuraram subir às muralhas e de lá tirar fotografias, à praia e a toda a zona piscatória. Os comentários referiam por um lado a beleza do local, por outro o lamento do abandono que esse património estava votado. Por vezes interrogavam-se e referiam não compreender o desrespeito das entidades responsáveis por aquele património.

A globalização não perdoa a ignorância de uma comunidade, e quando sente que está perante "descompensados" culturais avança sofregamente, para impor as suas regras.

 

Joaquim Vasconcelos



publicado por nuceartes às 14:59
link do post | comentar | favorito
|

1 comentário:
De Eu a 25 de Março de 2009 às 15:58
Sim é uma pena que o Forte da Lagarteira esteja nesse aspecto tao degradante como referido no texto, mas como nós sabemos nao à rumuneraçoes possiveis para o restaurar...


Comentar post

mais sobre mim
pesquisar
 
Novembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30


posts recentes

ORDENAMENTO… COLIDE COM S...

Ainda sobre a Bandeira Az...

Movimentação de areias na...

Visita da Direcção do NUC...

Melro d'Água em edição di...

Qualidade da areia no “Mo...

Borrelho de Coleira Inter...

Nota de Imprensa

Proposta de valorização d...

A Masseira navega nos mar...

arquivos

Novembro 2017

Agosto 2017

Junho 2017

Janeiro 2017

Novembro 2016

Junho 2016

Março 2016

Janeiro 2016

Outubro 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Setembro 2014

Agosto 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Dezembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Outubro 2011

Agosto 2011

Junho 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Outubro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Junho 2009

Maio 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Novembro 2008

Outubro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Dezembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

links
Visitas
Free Counters
Free Counters
blogs SAPO
subscrever feeds