Núcleo de Estudos e Artes do Vale do Âncora
Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008
Entre o azul e a ignorância

Acabaram as férias….

Este ano, o turismo continuou a apostar na cultura das praias de bandeira azul. A cultura dos grãos de areia a deslizar por entre os dedos das mãos. Nem os perigos do excesso da exposição solar conseguem demover os responsáveis de encaminharem as pessoas para as praias. As praias de bandeira azul nascem, criam-se, inventam-se…. O descanso parece ser uma área de areal, junto do oceano.
 
Enquanto isso vai sucedendo, de uma forma quase "envergonhada", têm vindo a ser desvendados alguns pontos de interesse, a nível do Vale do Âncora, com a criação dos núcleos museológicos, que servem de chamariz a uma nova vaga de turismo.
Mas torna-se "visível" que, depois de fazerem o investimento para ressurgimento desses locais, falta a capacidade de dinamizar esses espaços e em prazos relativamente curtos, "meia dúzia de anos", deixam-nos degradar novamente, sem tirarem qualquer proveito do dinheiro lá investido, que muitas das vezes são verbas bastante avultadas.
Mas criar novos pólos museológicos e percursos implica analisar objectivos para se obterem resultados satisfatórios, tendo em conta, sempre, a manutenção e dinamização desse património de forma a não se criar descontinuidade em determinados ciclos turísticos.
De facto, um dos locais que mais está a ressentir-se dessa inércia é a Montaria, pequena freguesia montanhosa do concelho de Viana do Castelo, integrada na Bacia Hidrográfica do rio Âncora.
Houve, de facto, um projecto que reabilitou há poucos anos uma série de moinhos de montanha que se tornaram num ex-libris local. Criaram vários percursos (14) em que os moinhos documentavam uma fase do ciclo do pão, situação que deu origem à feira do pão, que acontece anualmente no Verão.
Mas essa criação de núcleos museológicos torna incompreensível o deixar parar os moinhos de Espantar, na Montaria, ou deixar que as silvas envolvam o moinho de Trás-Âncora, quando este equipamento integra esses mesmos percursos, referentes a uma rede de percurso pedonal nacional.
Os responsáveis não se podem esquecer de que a funcionalidade destes "núcleos museológicos" é gerar a dinâmica de um turismo cultural, que é importante em regiões "deprimidas".
Por isso, além dos moinhos de montanha da Montaria, os responsáveis locais deste Vale não se podem "dar ao luxo" de deixar que a mamoa de Ereira, monumento funerário localizado na freguesia de Afife, seja deixado ao abandono, sendo hoje impossível chegarmos às suas imediações.
Nem deixarem que a cividade de Âncora-Afife se degrade sem que exista o mínimo de protecção desta povoação celta, que nos remete ao princípio da fixação dos povos que desbravaram o Vale do Âncora e a concha de Afife.
Parece que se está a vender um dos países mais antigos do mundo ao desbarato. Só preservando o nosso património é que podemos mostrar as nossas raízes culturais a quem nos visita e podemos fazer frente ao lado negativo da globalização.
Mas, para que isso aconteça, é necessário que sintamos que a nossa cultura são as raízes de uma frondosa árvore, que se chama Portugal, e que só com umas raízes muito possantes é que ele resiste aos temporais mais agressivos que possam existir.
Só preservando estes locais é que quem nos visita terá a possibilidade de entender o desenvolvimento do Vale do Âncora, que com as suas formas de viver conseguiu doar-nos uma área habitável, de grande beleza e de cuja cultura somos fiéis depositários.
 
 
Joaquim Vasconcelos
 

Outra denuncia sobre o estado da Mamoa da Ereira-Afife pode ser visto aqui: http://novafloresta.blogspot.com/2007/09/partimnio.html



publicado por nuceartes às 17:24
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