Núcleo de Estudos e Artes do Vale do Âncora
Sábado, 3 de Julho de 2010
OBRAS NO FORTE DO CÃO

Em Portugal, vive-se de modas. Agora chegou a moda das "ciclovias" e com ela, a demagogia do aculturado, que refere que temos de aproveitar os benefícios dos subsídios.

 

No entanto, considero que não devemos destruir a "Galinha dos ovos de ouro". Por isso, os responsáveis da corda litoral a Norte de Ofir, incluindo autarquias, devem começar a preocupar-se com o cordão dunar de Afife e Vila Praia de Âncora, que se encontra numa fase de destruição acelerada, devido às asneiras que os responsáveis por essas áreas têm permitido. Podem até referir que o problema se enquadra com a subida generalizada do mar. Mas quando a natureza não é respeitada a verdade vem ao de cima. E a redução do areal da praia de Âncora, embora se deva em grande parte a um portinho mal projectado, onde se gastaram milhões de euros, e deviam ter tido em atenção certos factores que foram desprezados dando origem a um portinho que está a ficar cheio de areia, e ao emagrecimento da praia de Âncora.

 

Na realidade a redução do areal de Vila Praia de Âncora deu origem a outro areal, mais a Sul, " este dourado", entre o Forte do Cão e a Praia de Afife.

 

 

O limite do equilíbrio dunar está a ser ultrapassado, pelo que, o pisoteio a que vão ser sujeitas, vão dar inicio a um acréscimo de veraneantes que por sua vez vão originar a destruição de grande parte do coberto vegetal dunar e consequentemente das dunas.

 

Pode vir acontecer, a curto prazo o fim de uma das mais belas zonas litorais do norte de Portugal, que integra um BIOTOPO DE INTERESSE EUROPEU. Pelo exposto, ordenar este espaço não era criar condições para um maior afluxo turístico de "praia", visto que não é possível disciplinar o pisoteio, e a própria praia não suporta a carga humana que a está a utilizar, mas sim, diversificar o próprio turismo, apresentando novas sugestões e orientar quem nos visita.

 

É a loucura generalizada o que se está a passar neste País, que mesmo com a "falta de ar que tem nos bolsos" acham-se com o direito de colocar em risco a sua independência- um dos mais antigos países do mundo, o que é uma autêntico suicídio.

 

Com que direito vamos entregar um país endividado, com futuro duvidoso, aos nossos filhos. Vamos continuar a gastar dinheiro, dizendo que é para renaturalizar o cordão dunar, embora a realidade seja percisamente fazer as asneiras que sempre fizeram.

 

Porque isto do "polis litoral" encabeçada pela argumentação da renaturalização, do litoral, não passa de pura demagogia, porque o que está a suceder é artificialização do cordão dunar, em que áreas das zonas da "Rede Natura" estão a ser mandadas às "urtigas", sem que ninguém se pronuncie. Gastaram dinheiro para levantar uma área que deu origem a uma delimitação da "rede natura", que devia ser protegida, no entanto agora com as obras que estão a realizar, estão a destruir parte desse espaço, a criar condições de maior afluxo turismo de praia e consequente destruição do cordão dunar.

 

Parte das áreas integradas na "rede natura" estão a ser absorvidas pela rede viária que estão a realizar. Áreas onde ainda no ano passado apareciam espécies endémicas foram ocupadas pelo alargamento de arruamentos. E como "documento visível" temos o caso de umas infra-estruturas, que se estão a executar junto do forte do Cão - Âncora. Além do já referido, aparece uma rede que aparenta ser uma rede unitária de águas residuais domésticas (saneamento), a rede de águas residuais pluviais, a ligar a uma fossa, que por sua vez está ligada a um tubo que vai despejar os seus resíduos numa pequena enseada, junto do forte do cão. Neste caso o dinheiro para a renaturalização do litoral pode já ter criado mais um foco de poluição.

 

Em tom de brincadeira comenta-se que os responsáveis estão a preparar um espaço para levar os "veículos motorizados a banhos".

 

Melhoram-se os acessos viários, não só aos veraneantes mas também para os delapidadores dos Ouriços-do-mar, ou para certos grupos de pessoas se abastecerem de seixos ou mesmo para os vândalos do forte do Cão.

 

É um país de demagogos, em que dizem preocupar-se com a destruição da corda litoral. No entanto, criam condições que garantem uma pressão urbana maior sobre ele.

 

Mais uma vez o turismo "primário" está a servir de justificação para a destruição do litoral e a consequente destruição dos ecossistemas costeiros.

 

E agora que apareceram umas "aparentes" benesses comunitárias para se fazer umas ciclo vias, os responsáveis políticos/turísticos acharam que surgiu a " galinha dos ovos de ouro" e começaram a semear ciclovias por tudo quanto é litoral, esquecendo-se que a verdadeira riqueza já está lá, só seria necessário não as destruírem, no entanto, tal como os seus antecessores, a destruição continua.

 

Um País sem dinheiro não pode gastar milhões de euros, a destruir um espaço que tem garantido uma procura turística. Não podemos fazer da costa Portuguesa um "Algarve", os responsáveis por esta área deviam ser mais inteligentes.

 

Quer ministérios quer autarquias, têm de deixar a sua tecnocracia e conhecerem as realidades existentes no terreno, que dizem respeito ao ordenamento costeiro e turístico. Pode ser bom estar na Europa, mas se os nossos quadros políticos não conhecerem o País real, e os técnicos sejam simples "paus mandados", dissociando-se dos espaços naturais a preservar, e planeando a destruição do nosso património natural, estarão a pôr em causa a nossa independência cultural, e a destruir a " galinha dos ovos de ouro".

 

 

A melhor garantia de prosperidade para o turismo está em paisagens atraentes e em características naturais intrínsecas a cada uma delas, porque a conservação dos recursos naturais, é essencial para a realização dos diversos objectivos do desenvolvimento e passa por uma correcta utilização dos mesmos. Se não tiverem essa preocupação, o erário público, irá continuar a pagar mais indemnizações e obras de contenção do avanço do mar.

 

É por isso que o turismo de praia, não deve esquecer a dinâmica geomorfológica do sistema dunar. Por muitas infra-estruturas realizáveis para minimizar erosão dunar, há necessidade de uma defesa radical deste património. O mais grave, é que os próprios responsáveis, enfermam por insuficiências culturais, pelo que não compreendem certos alertas que se fazem.

 

Se não tomarem providências urgentes, a acção erosiva, originada pela sobreocupação desta área, irá acelerar todo um processo de avanço do mar. Se não houver preocupação de encontrar a solução mais correcta de defesa desta corda dunar, será destruída, sem nunca haver responsáveis (!), nem preocupações, embora a realidade seja a falta de coragem política, encabeçada pela ignorância técnica.

 

Não façam só a promoção de praias, porque essa é forma mais simplista de se promover um turismo primário e especulativo neste país do "faz de conta".

 

Mas isso enquadra-se na filosofia do português, que desconhecendo, tanto a sua realidade cultural como social, "abre as pernas" a tudo o que vem do exterior, esquecendo-se que é originário do País mais antigo da Europa, com uma cultura que faz inveja, a qualquer potencia mundial, cuja língua é uma das mais faladas no mundo, embora os nossos representantes o esqueçam, quando estão a falar para as televisões, demonstram a sua falta de cultura, ao começarem a expressar-se em inglês francês e ultimamente em "espanholês".

 

Ridicularizar o povo que os elegeu é muito negativo e culpar um povo das asneiras que os governos e autarquias cometem é de uma baixeza primária. É vergonhoso….

 

Por isso é indispensável usar de medidas para salvaguarda os recursos locais, reduzir a pressão e ocupação, da corda litoral, porque a manutenção dos meios naturais constitui uma garantia para a perpetuação do equilíbrio dos ecossistemas litorais.

 

Este quadro, podia ser minimizado se os "inquilinos do poder" conhecessem o espaço que vão intervencionar, para se sensibilizarem para os problemas de um "turismo de massas", e procurarem apresentar um turismo criativo (isto obriga a mais conhecimentos e a uma disciplina mais apoiada com conhecimentos técnicos) que nos garanta uma valorização cultural, ambiental e técnica, para depois não se andar atirar as culpas á subida generalizada do mar ou aos funcionários públicos.

 

Para sermos correctos temos de admitir que a maior asneira que se está a cometer é proveniente da falta de ordenamento da orla marítima e da má utilização dos incentivos que nos são facultados. Só seria possível acreditar na democracia, quando esta faz respeitar as suas leis, e não se deixa cair no "não te rales" para angariar votos. Não criem mais condições para facilitar a destruição do litoral.

 

Perante toda esta escuridão cultural vou transcrever "Mark Twain(Samuel LanghorneClemens)" que já em 1835 referia: "Por vezes pergunto-me se o mundo será governado por pessoas inteligentes que estão a gozar connosco, ou por imbecis que acreditam no que fazem. (revista intelligentt life-primavera 2010 - pag.110).

 

Joaquim Vasconcelos in caminha2000



publicado por nuceartes às 14:41
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