Núcleo de Estudos e Artes do Vale do Âncora
Sábado, 8 de Fevereiro de 2014
Dunas dos Caldeirões - Comunicado

Mais uma vez o mar rompeu o cordão dunar na zona dos Caldeirões, na Praia d’Âncora, algo que já se esperava, face à erosão provocada pelas maresias dos últimos dias.

Em Fevereiro de 2013, o NUCEARTES – Núcleo de Estudos e Artes do Vale do Âncora, alertou para a forma como estavam a ser depositados os dragados do portinho no reforço da Duna dos Caldeirões (muito perto do mar, sem qualquer mecanismo de estabilização e consolidação, sem controlo de qualidade dos dragados). Perdeu-se a oportunidade de executar um trabalho de consolidação estrutural do cordão dunar, bem como a imprescindível retificação do curso do Rio Âncora, de forma a permitir uma duna mais larga e mais estável.

Sobre as causas objetivas deste acidente, em rigor, pouco se pode dizer, mas há fatores que certamente terão a sua quota-parte de responsabilidade. Em primeiro lugar o aumento do nível do mar e as alterações climáticas tem, não só nesta praia, como um pouco por todo o litoral atlântico, provocando fenómenos de erosão severa, com graves consequências ecológicas.

Década de 80

Em segundo lugar, a fraqueza do cordão dunar nesse local, remonta a mais de setenta anos atrás, quando pretenderam por ali abrir a foz do rio, fraqueza essa que nunca mais foi devidamente colmatada.

Em terceiro lugar, porque a construção dos molhes do porto de mar alterou significativamente as correntes costeiras, nomeadamente o fenómeno de inversão da deriva, uma característica da dinâmica costeira na Praia d’Âncora.

Por ultimo, as barragens para aproveitamento hidroelétrico que inibem o lançamento em corrente oceânica de grandes quantidades de inertes necessários para carregar as praias mais próximas.

2012

 

Defendemos que deve haver uma intervenção urgente (e inteligente) que devolva à Duna dos Caldeirões a tarefa de suster as arremetidas do mar e do vento, como proteção da Mata Nacional da Gelfa, do sapal do Rio Âncora e do seu ecossistema.

Nesse contexto, não faz sentido qualquer outro investimento do programa Polis Litoral Norte no Concelho de Caminha, que não seja na reconstrução e consolidação da Duna dos Caldeirões e Dunas de Moledo, devendo as requalificações estéticas de caracter urbano ou a construção de ecopistas, serem suspensas pois não são investimento prioritário.

4 de Fevereiro 2014

 

Todos os recursos disponíveis devem ser canalizados para obras estruturais, não para obras de fachada, de gosto duvidoso e sem qualquer relevância para a qualidade ambiental.

A Direção do NUCEARTES reunida a 6 de Fevereiro de 2014, decidiu tornar pública esta posição e dela informar a Agencia Portuguesa de Ambiente, como entidade tutelar da área litoral, bem como Câmara Municipal de Caminha, Capitania do Porto de Caminha e Juntas de Freguesia de Âncora e Vila Praia de Âncora.

 

Vila Praia de Âncora, 07-02-2014

 

A Direção



publicado por nuceartes às 14:52
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2 comentários:
De Guedes a 13 de Fevereiro de 2014 às 23:33
Nem por um segundo passou pela cabeça de nenhum dos membros desta associação que, talvez, enfim, estejamos na presença da mais natural das dinâmicas geológicas neste tipo de configuração fluvial!? Se o rio quebra repetidamente a duna é porque é precisamente por aí que passou a ser mais estável o seu trajecto. Não é preciso saber muito de geologia para perceber que se trata de dinâmica natural em rios meandriformes, sem que tal se trate de um "acidente" ou de uma questão de "grave consequência ecológica". É dinâmica pura e simples. A situação artificial é manter a duna na circunstância dinâmica actual e induzida pelo "portinho". Recomendo a leitura de um qualquer livro de geologia ou geomorfologia relacionado com este tipo de canais. Eventualmente nada que uma pesquisa do google não resolva em 3 ou 4 segundos. Procurar, por exemplo, por "meandro abandonado".


De nuceartes a 26 de Fevereiro de 2014 às 10:45
Neste caso foi o mar que galgou a duna obstruindo o curso normal do rio, obrigando-o a desviar-se em direcção ao mar.


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